segunda-feira, 16 de novembro de 2020

 Amor Mentiroso


Era sábado. O famoso pastor norte-americano, aquele que arrancava lágrimas na plateia com seu  discurso, preparava o sermão sobre a beleza do Amor para a manhã do domingo imediato.

Estava só em casa naquele momento e, mergulhado na sua vasta biblioteca, pesquisava, pesquisava…

De repente, a campainha tilintou agressivamente. A princípio, não foi atender a ela mas, dada à incomodativa insistência, resolveu verificar quem era. Tratava-se de um mendigo, pedindo-lhe comida. 

  • Meu amigo - disse o pastor - estou sozinho em casa e nem sei se há sobra de comida.

Como o pedinte voltou a insistir com veemência, alegando que estava faminto, nervoso, o consagrado religioso retrucou:

  • Meu caro, eu já lhe disse que não sei se há sobra de alimentos e, como estou ocupadíssimo, por favor, queira retirar-se. Bateu a porta na cara do mendigo e retornou à sua biblioteca.

No domingo seguinte, um lindo dia de céu azul, suave brisa, a igreja estava repleta de fiéis numa radiante expectativa. De maneira empolgante, o pastor dissertou uma hora e cinco minutos sobre a beleza do Amor. 

Ao término desse sermão, grande parte dos presentes chorava de emoção e, exatamente nesse momento, uma voz ecoou lá da última fila de cadeiras, gritando:

  • Gente, não acredite neste homem. Ele é um enganador. Estive em sua residência pedindo comida e ele, com esse amor mentiroso, além de não me socorrer, bateu a porta na minha cara sem nenhum sentimento de caridade.

Como podemos concluir, é por demais perigoso receitar para os outros aquilo que nós mesmos  não conseguimos colocar em prática. Neste caso, o amor não iluminou e nem aqueceu. Apresentou-se frio e sem vida na essência.

(Jair Oliveira- Crer ou Não Crer?)

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