Amor Mentiroso
Era sábado. O famoso pastor norte-americano, aquele que arrancava lágrimas na plateia com seu discurso, preparava o sermão sobre a beleza do Amor para a manhã do domingo imediato.
Estava só em casa naquele momento e, mergulhado na sua vasta biblioteca, pesquisava, pesquisava…
De repente, a campainha tilintou agressivamente. A princípio, não foi atender a ela mas, dada à incomodativa insistência, resolveu verificar quem era. Tratava-se de um mendigo, pedindo-lhe comida.
Meu amigo - disse o pastor - estou sozinho em casa e nem sei se há sobra de comida.
Como o pedinte voltou a insistir com veemência, alegando que estava faminto, nervoso, o consagrado religioso retrucou:
Meu caro, eu já lhe disse que não sei se há sobra de alimentos e, como estou ocupadíssimo, por favor, queira retirar-se. Bateu a porta na cara do mendigo e retornou à sua biblioteca.
No domingo seguinte, um lindo dia de céu azul, suave brisa, a igreja estava repleta de fiéis numa radiante expectativa. De maneira empolgante, o pastor dissertou uma hora e cinco minutos sobre a beleza do Amor.
Ao término desse sermão, grande parte dos presentes chorava de emoção e, exatamente nesse momento, uma voz ecoou lá da última fila de cadeiras, gritando:
Gente, não acredite neste homem. Ele é um enganador. Estive em sua residência pedindo comida e ele, com esse amor mentiroso, além de não me socorrer, bateu a porta na minha cara sem nenhum sentimento de caridade.
Como podemos concluir, é por demais perigoso receitar para os outros aquilo que nós mesmos não conseguimos colocar em prática. Neste caso, o amor não iluminou e nem aqueceu. Apresentou-se frio e sem vida na essência.
(Jair Oliveira- Crer ou Não Crer?)
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