quinta-feira, 26 de novembro de 2020

 Magnífica Lição de Tolerância


“Como se aproximasse o tempo em que havia de ser arrebatado do mundo, ele, de semblante resoluto, pôs-se a caminho de Jerusalém. Enviou adiante alguns mensageiros que, de passagem, entraram numa aldeia de samaritanos a fim de lhe prepararem pousada. Estes, porém, não o quiseram receber, por dar ele mostras de que ia para Jerusalém. Vendo isso, seus discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres tu que digamos desça fogo do céu e os consuma? Jesus, voltando-se para eles, repreendeu-os, dizendo: Não sabeis de que espírito sois? O filho do homem não veio para perder e sim para salvar os homens. E foram para outra povoação.” (Lucas, 9:51-56)


Sabem os versados em assuntos bíblicos que Samaria era uma das quatro divisões da Palestina e que, após o cisma das dez tribos de Israel, os samaritanos formaram um reino dissidente.

Para não precisarem ir a Jerusalém por ocasião das festas religiosas em que os judeus comemoravam a saída do Egito, os samaritanos construíram um templo em sua província, onde celebravam, em particular, as mesmas cerimônias.

Malgrado a origem comum, os dois povos passaram a hostilizar-se reciprocamente, sendo que os judeus, tidos como os ortodoxos do moisaísmo, tachavam os samaritanos de heréticos, devotando-lhes o maior desprezo.

Essa a razão, até certo ponto compreensível, de os samaritanos se haverem recusado a oferecer hospedagem a Jesus, tão logo o identificaram como um judeu em trânsito para a Capital.

A reação dos discípulos que o acompanhavam não se fez esperar. Queriam nada menos que fulminá-los, atraindo sobre eles fogo do céu!

Jesus, entretanto, longe de autorizar tal violência, repreendeu-os severamente, dizendo-lhes que viera ao mundo para salvar os homens e não para exterminá-los, e que, como membros de seu colégio apostólico, também eles deveriam usar de caridade para com todos, retribuindo o ódio com o amor e as ofensas com o perdão, consoante o espírito da doutrina que pregavam.

Dirigindo-se em seguida a outra aldeia, em busca de pousada, deixando em paz os que se recusaram a recebê-lo, deu Jesus mais um de seus magníficos exemplos de mansuetude e tolerância, comprovando, assim, a perfeição de seu caráter.

Vezes sem conta tem Jesus batido à nossa porta, sem entretanto, encontrar guarida, porque à semelhança dos samaritanos, nossos corações igualmente estão cheios de animosidade.

Ele então se vai porque não é de seu feitio violentar o livre-arbítrio de quem quer que seja.

Quando, afinal, acolheremos o celeste amigo, para que ele, com sua inefável presença, nos inunde a casa de alegria e felicidade?

(Rodolfo Calligaris-Páginas de Espiritismo Cristão)


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