Einstein e a Religião
Dizia Bacon: Pouca ciência conduz ao ateísmo; muita ciência conduz a Deus.
Os grandes benfeitores da Humanidade, os homens que se têm distinguido pela inteligência, produzindo algo de bom e de útil para a Humanidade, foram indivíduos possuídos de espírito religioso.
Não devemos entender, porém, que esses indivíduos se achassem filiados aos dogmas desta ou daquela facção religiosa. A consciência, o espírito ou instinto religioso existe muitas vezes, em alto grau, em profunda vibração, fora dos limites estreitos do sectarismo ou da ortodoxia.
Ainda agora acabamos de ler uma notícia interessante acerca da teoria religiosa de Einstein, o célebre e famoso físico e matemático. Segundo sua opinião, a religião se manifesta sob três aspectos distintos, a saber:
A religião do temor;
A religião da moral social;
A religião do senso cósmico.
A primeira e a segunda formas são passageiras. O controle da ciência destrói a primeira e substitui a segunda. Quanto, porém, à terceira, essa permanecerá para sempre, porque, como concluíram os grandes gênios, dentre eles Lang - “o fundo do Universo é luminoso”.
A presente notícia que ora comentamos nos traz à memória as consoladoras e doces palavras de Jesus: Crede em Deus, crede também em mim. Na casa do Pai há muitas moradas.
O Mestre não delimitou a fé, nem a circunscreveu dentro dos âmbitos pequeninos das tricas e das sofistarias clericais. Ele fez um apelo à razão do homem, induzindo-o a lobrigar o Autor da Vida, o Arquiteto do Universo.
Nesse foco luminoso que resplende no âmago da Criação, e no Expoente de suas maravilhas - é que Jesus convida o homem a crer.
E que crença pede Ele? A fé cega, imposta por autoridade? Não. A fé raciocinada, aquela que nasce dos fatos, que parte do que se vê para induzir ou deduzir o que não se vê. Por isso, o Mestre acrescenta: Na casa do Pai há muitas moradas.
Sim - creia no Deus cuja existência e cuja obra se acham manifestas no panorama celeste, nos turbilhões de sóis, de mundos e estrelas que rolam na imensidade atestando a munificência da obra, a onipotência e onisciência do seu Autor.
Partindo desse fato concreto, quanta dedução a inteligência do homem pode tirar! Transportando-nos nas asas do pensamento a essas regiões refulgentes, a essas terras do céu onde habita a justiça, como não admirar a imensidade do poder e a excelência do amor divino? Para quem foram criadas essas moradas, senão para os filhos daquele Pai, em quem o Filho dileto nos aconselha a crer?
Eis aí a razão da fé raciocinada que, no dizer de Kardec - encara a razão face a face em todas as épocas da Humanidade.
Tal é a religião dos gênios. Tal é a fé proclamada pela Terceira Revelação.
(Vinicius-Em Torno do Mestre)
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